Comer é um ato de prazer! Isso é um fato que poucas pessoas descordarão. A pergunta é: será que o prazer que a comida nos traz vale a pena quando ela coloca a nossa saúde em risco? Vamos descobrir isso juntos ao longo deste post.

O ser humano tem uma característica imediatista, valorizando muito mais o ato de comer um doce, uma fritura, o qual lhe fornecerá um prazer momentâneo, mesmo sabendo que esse tipo de alimento poderá afetar sua saúde, do que o bem estar que talvez sentiria se não comesse. Quando pensamos em saúde e qualidade de vida muitas vezes é preciso trocar uma porção de prazer por um bem estar.

Pode ser libertador descobrir a quantidade que precisamos comer de cada alimento para prevenir problemas de saúde, e até mesmo nos fortalecer. Quando assumimos a responsabilidade por nossa saúde, fazemos escolhas mais conscientes e melhores. Para isso é importante ter conhecimento e consciência do que comemos.

Dentro de uma alimentação saudável, certamente, podemos comer de tudo. Mas é importante entender o quanto e porque estamos escolhendo determinados alimentos. A frequência de escolha também vai influenciar. Não precisamos abrir mão dos alimentos que gostamos (mesmo aqueles que não são considerados saudáveis), mas é fundamental equilibrar a quantidade, a qualidade e a frequência de seu consumo.

Observar o que nos faz bem e que nos faz mal gera autoconhecimento, e isso só conseguimos quando prestamos atenção no que comemos e porque comemos!

É impressionante saber que hoje há mais pessoas morrendo de doenças relacionadas ao excesso de consumo de comida do que pessoas morrendo de fome. No momento atual a comida pode ser uma grande aliada para uma boa qualidade de vida, mas também pode ser a causa de muitas patologias crônicas.

Não existe alimento mocinho ou vilão, tudo vai depender da quantidade e da qualidade!! Ter isso como base para começar uma reeducação alimentar é sensacional, pois você terá a liberdade de escolher o quer colocar no prato, sem prejuízos à sua saúde.

A nossa medicina hoje prioriza remediar no lugar de prevenir, infelizmente. Grande parte dos médicos preferem tratar sintomas, receitando remédios do que trabalhar com prevenção e ir na causa do problema. Mas cabe a nós fazer a nossa parte. Por exemplo, assim como não precisamos esperar que um médico nos oriente a parar de fumar (já que o cigarro é um veneno para nossa saúde), também não precisamos esperar uma orientação específica para começar a nos alimentar de modo mais saudável. Mas a maioria pensa da seguinte forma: é melhor comer o que quisermos e simplesmente tomar medicamentos quando começarmos a ter problemas de saúde, a evolução da medicina existe para isso… bom, cada um pensa o que quer, e é responsável pelos seus atos… mas terá que lidar com as consequências, porque algo é certo: uma hora a conta chega!

Outro dado impressionante: o meio ambiente em que o indivíduo está inserido se sobrepõe à genética, tanto na prevenção como na causa da doença. Ou seja, você só vai desenvolver aquela patologia que geneticamente você está pré-disposto, se o meio ambiente onde você está inserido contribuir para isso, e claro que a alimentação e seus hábitos de vida estão inseridos neste contexto.

A expectativa de vida do ser humano aumentou, mas os anos que estamos vivendo a mais não são necessariamente saudáveis. Na verdade estamos tendo menos anos saudáveis agora do que nossos avós tiveram. Em outras palavras: estamos vivendo mais, porém vivendo mais doentes. E grande parte disso é porque comemos como se o futuro não importasse.

Se considerarmos o envelhecimento, a contribuição da alimentação fica bem evidente. Em cada uma das nossas células há 46 filamentos de DNA enrolados formando cromossomos. Na ponta de cada cromossomo há uma capa chamada telômero, que impede o DNA de se desenrolar. Mas, toda vez que as células se dividem (e elas fazem isso o tempo todo), um pedacinho dessa capa se perde. E quando se perde o telômero por completo as células podem morrer. Os telômeros começam a encurtar assim que nascemos e quando eles acabam, nós morremos… assim é o envelhecimento de forma bem simplificada.

Olha que incrível: o consumo de frutas, verduras, legumes e outros alimentos antioxidantes (quem em acompanha nas redes sociais sabe que falo o tempo todo deles!!) está associado a telômeros mais longos, ou seja, que demorarão mais tempo para perdemos. Em compensação a ingestão de cereais refinados, refrigerantes, carnes e laticínios foi relacionada a encurtamento de telômeros. Resumindo: temos a chance de retardar ou acelerar o envelhecimento celular através do que comemos, a escolha é nossa!

Não há dúvidas que muitas vezes precisamos dos medicamentos, sem eles certamente não sobreviveríamos nos dias atuais. Mas tudo tem sua hora e lugar. Por exemplo, podemos tomar estatinas para reduzir o colesterol, com o objetivo de reduzir o risco de doenças cardiovasculares, também podemos tomar metiformina ou insulina para controlar o diabetes, assim como diuréticos contra hipertensão. Porém existe uma única dieta que pode prevenir ou até mesmo auxiliar no tratamento de todas essas doenças: uma dieta saudável! Ao contrário dos medicamentos não existe diferença de alimentação melhor para o funcionamento do fígado e outra para melhor desempenho dos rins ou pulmões. Quando falamos de prevenção (não estou falando sobre doença já instalada!!), a mesma dieta, baseada em alimentos naturais, com o mínimo de industrializados, pode beneficiar todos os sistemas orgânicos de uma só vez.

Essa dieta não tem segredos: a base é de vegetais, alimentos integrais, gorduras boas! Tudo o que a natureza nos fornece sem miséria!!

Muitas doenças, são questão de escolha… sim! Vamos entender isso. Por exemplo: se olhasse os dentes das pessoas que viveram há dez mil anos da invenção da escova de dentes, você notaria que elas não tinham nenhuma carie. Isso simplesmente porque elas não conheciam o açúcar, o chocolate, as balas, etc. O motivo pelo qual as pessoas tem cárie hoje é o principalmente o fato do alto consumo de alimentos e bebidas açucarados. Neste caso, a pessoa terá cárie porque escolheu esses tipos de alimentos. Agora vamos imaginar, em vez de uma placa bacteriana no nosso dente, estivermos falando de uma placa aterosclerótica se formando nas artérias… a qual foi formada devido a uma alimentação errada, ou seja, por causa de escolhas alimentares inadequadas… neste caso estamos falando de vida e morte. Pense nisso, pense nas suas escolhas.

Na ciência tem sido demonstrado, por exemplo, que uma dieta a base de vegetais reduzem o colesterol com tanta eficiência, quanto as estatinas, mas sem os riscos, claro que de forma mais a longo prazo. E mais: os efeitos colaterais de uma alimentação equilibrada e saudável tendem a ser bons: proteção do fígado e do cérebro, menos riscos de câncer e diabetes, assim como menor risco de adquirir outras patologias.

Nunca é cedo demais para começar a se alimentar de maneira saudável, e também nunca é tarde demais!!! 

 


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