O cuidado com a nossa saúde envolve o equilíbrio do organismo como um todo, e para isso muitos fatores estão envolvidos, entre eles: saúde física, qualidade de vida, saúde emocional e fornecimento adequado de nutrientes e fitoquímicos. Mas hoje vou focar em um órgão fundamental para a nossa saúde plena: o Intestino!

O nosso intestino é tão importante que está ligado inclusive ao nosso sistema emocional, ambos caminham juntos, um depende do outro! No intestino há a maior produção do neurotransmissor responsável pelo nosso bem estar, a tão famosa serotonina, e esta também é responsável pela motilidade intestinal, ela controla a contração gastrointestinal. Ou seja, um está relacionado ao outro.

O fornecimento adequado de nutrientes depende de um intestino saudável, pois se há alteração das vilosidades e da permeabilidade intestinal, há uma baixa absorção de nutrientes. Para as pessoas que praticam exercícios físicos isso é mais importante ainda, pois os exercícios geram naturalmente um aumento do estresse oxidativo e os nutrientes antioxidantes são necessários para modular essa adaptação do organismo, se o intestino está alterado, essa recuperação não ocorre adequadamente.

É no nosso intestino que absorvemos os nutrientes, as células do intestino chamadas enterócitos são responsáveis por 90% dessa absorção. A permeabilidade intestinal alterada causa baixa absorção desses nutrientes, principalmente dos minerais. Essa baixa absorção faz com que falte nutrientes para as funções fisiológicas. Muitas patologias estão envolvidas com o nosso intestino, como por exemplo, no caso das doenças auto-imunes, os pacientes sempre tem um nível de hiperpermeabilidade intestinal. Vou explicar isso um pouco melhor.

A microbiota é o conjunto de microorganismos ao longo do trato gastrointestinal e ela começa a ser formada na gestação, onde há transferência bacteriana dentro do útero. A diversidade da microbiota é formada até os 3 anos de idade. Por isso é preciso cuidar muito bem do intestino da gestante desde o início da gestação. A amamentação também é fundamental para perpetuar essa diversidade microbiana, tanto através do leite materno quanto pelo contato do bebê com a pele da mãe. A nossa microbiota intestinal tem inúmeras funções: participa do metabolismo, digestão e absorção de nutrientes, metabolismo de drogas e toxinas, síntese de nutrientes (como a vitamina K, colina, ácidos graxos), proteção contra patógenos, estimula o sistema imune, mantém a integridade das células epiteliais e regula o estresse oxidativo.

Recebo muitos pacientes com problemas intestinais, principalmente a constipação, a qual tem causas multifatoriais: pode ser falta de fibras, sedentarismo, hidratação ruim, anatomia do intestino, entre outros fatores. Para o tratamento adequado deve-se considerar todos eles. Há também aqueles pacientes que tem intestino muito solto, o que também não é saudável e pode estar relacionado com intolerâncias alimentares, por exemplo.

No nosso intestino temos uma mucosa que funciona como barreira física e ela é formada por muitas células, cada uma com uma função. Essas células associadas ao muco protetor é que formam a nossa barreira intestinal, a qual tem que estar em equilíbrio para manter a integridade desta mucosa, isto inclui também a nossa microbiota, que são a bactérias que vivem no nosso intestino. Para um intestino ser considerado saudável, não basta funcionar todos os dias, ele precisa ter produção adequada de muco (que é onde as bactérias boas se alojam), microbiota equilibrada e mucosa íntegra. Essa mucosa intestinal é como se fosse uma barreira entre o nosso organismo o o meio externo, é ela que vai decidir quem entra e quem sai.

Existem células específicas do intestino que produzem substâncias antimicrobianas que controlam o crescimento de bactérias patogênicas, ou seja, impedem o seu super crescimento, para isso o intestino tem que estar saudável. Quando o intestino está alterado e a pessoa tem constipação, o trânsito intestinal é mais lento, com isso, substâncias que deveriam ser eliminadas nas fezes ficam mais tempo paradas (toxinas, hormônios, resíduos alimentares) sendo fermentadas pelas bactérias patogênicas, essas substâncias servem de substrato energético para o super crescimento dessas bactérias.

Um intestino saudável têm suas células que formam a mucosa todas unidas, quando há enfraquecimento dessa união, chamamos de hiperpermeabilidade. Com esse quadro instalado há passagem de substâncias e macromoléculas potencialmente tóxicas como: toxinas, proteínas mal digeridas, contaminantes alimentares, aditivos químicos, etc. Com o aumento da absorção dessas substâncias o sistema imunológico é acionado, gerando inflamação e possivelmente doenças auto-imunes por inflamação crônica, se o quadro não for revertido.

Os aditivos químicos presentes em produtos industrializados são os principais responsáveis por causar esse enfraquecimento na união das células intestinais. Quando associados a sacarose (açúcar), é ainda pior, pois o açúcar é o principal alimento das bactérias ruins presentes no nosso intestino. Com o supercrescimento dessas bactérias temos o que chamamos de disbiose. A disbiose é o desequilíbrio entre as bactérias boas e ruins do intestino, associada a uma alteração da mucosa intestinal, causando má absorção de nutrientes. Ela é influenciada por estresse mental, emocional, físico, uso de medicamentos e alimentação. Com a má absorção de nutrientes e a absorção de substâncias nocivas há um estímulo inflamatório e imunológico. Fatores independentes da dieta podem contribuir com a disbiose.

A disbiose é um estado em que microorganismos de baixa virulência se tornam patogênicos em virtude do desequilíbrio quantitativo instalado, afetando negativamente a saúde do ser humano. Ou seja, microorganismos que habitam nosso corpo, começam a crescer. Ela é causada por diversos fatores, entre eles: dieta desequilibrada (pobre em fibras e rica em aditivos químicos), problemas digestivos, intestino preso, estresse e uso abusivo de medicamentos.

As bebidas alcoólicas também prejudicam nosso intestino. O consumo excessivo de álcool está associado a mudança qualitativa e quantitativa na microbiota intestinal podendo gerar inflamação na mucosa, hiperpermeabilidade intestinal, inflamação sistêmica e danos hepáticos, incluindo a esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado). Essa esteatose hepática tem relação intensa com disbiose, pois as toxinas vão para o fígado que sobrecarregado tem dificuldade na metabolização de gorduras, contribuindo para o aumento do acúmulo de gordura no mesmo. Além disso, uma dieta excessiva em proteínas e gorduras gera disbiose e aumento da permeabilidade intestinal.

Há uma comunicação direta entre o intestino e cérebro e uma interligação com a microbiota intestinal. A disbiose e a hiperpermeabilidade (já explicadas anteriormente), aumentam a absorção de substâncias tóxicas que desencadeiam reações imunológicas, aumentando a produção de citocinas inflamatórias, as quais podem interferir na função cerebral e produção de neurotransmissores e hormônios ligados ao comportamento, que são modulados pelo intestino. A disbiose pode gerar desequilíbrio comportamental, pode influenciar diretamente nas emoções, no comportamento alimentar gerando compulsão, depressão, ansiedade e hiperatividade. Os pacientes constipados apresentam, por exemplo, níveis reduzidos de serotonina. A produção da serotonina é dependente de uma microbiota intestinal saudável.

Pode ocorrer um ciclo vicioso: os aditivos químicos reduzem a ligação entre as células intestinais, causando aumento da permeabilidade intestinal, a qual leva a disbiose. Com isso há aumento da absorção de LPS (fragmentos de bactérias), os quais causam inflamação intestinal, alterando a estrutura das células, aumentado ainda mais a permeabilidade intestinal, permitindo a passagem desses LPS para a corrente sanguínea, levando a uma inflamação sistêmica de baixo grau, a qual não consegue ser detectada por exames.

Vamos entender melhor: em um indivíduo saudável a sua microbiota é composta por bactérias nativas: gram positivas (bactérias boas) e gram negativas (bactérias patogênicas). Na ocorrência de fatores externos, como, alimentação rica em aditivos, gorduras saturadas, açúcar, medicamentos, estresse, pode ocorrer um desequilíbrio, onde há redução do crescimento das bactérias gram positivas e aumento do das gram negativas. Isso leva a uma redução da produção de ácidos graxos de cadeia curta, principalmente butirato, reduzindo assim a fonte de energia para as células intestinais, as quais não conseguem se regenerar, ficam lesionadas. Com o aumento das bactérias gram negativas, há aumento dos LPS (já explicado anteriormente), aumentando a inflamação intestinal. Se esse quadro se perpetuar há destruição da estrutura celular intestinal e absorção de LPS, toxinas e macromoléculas, gerando um quadro chamado de endotoxemia metabólica com inflamação sistêmica.

Um intestino íntegro ajuda inclusive da desintoxicação, pois a toxina não precisa chegar no fígado para ser eliminada, ela vai ser excretada pelo próprio intestino.

Essa alteração da permeabilidade intestinal pode estar relacionada com diversas doenças e sintomas como: atrite, rosácea, lupus, hashimoto, esteatose hepática, alergias e intolerâncias, doença celíaca, chron, acne, síndrome do intestino irritável, colite, déficit de atenção, hiperatividade, fadiga crônica, doenças auto-imunes.

A mastigação é uma causadora de disbiose e permeabilidade intestinal alterada importante, principalmente quando falamos de proteínas. As proteínas são um aglomerado de aminoácidos que precisam ser degradados para serem absorvidos. Quando não mastigamos adequadamente, há redução da secreção salivar, das enzimas e ácidos necessários para a digestão, prejudicando o processo da mesma. Em vez de chegar aminoácidos isolados, chegarão macromoléculas mal digeridas, as quais o intestino não consegue absorver. Essas macromoléculas irritam a mucosa, causando hiperpermeabilidade, e com isso conseguem ir para a corrente sanguínea na forma de proteínas. O sistema imunológico diante disso, entende que há um antígeno e passa a produzir mais anticorpos, aumentando o risco de alergias e doenças auto-imunes. Em uma pessoa inflamada, com disbiose e alimentação ruim, esse quadro se agrava.

A deficiência de zinco também causa má digestão de proteínas, e as principais fontes de zinco são exatamente as proteínas animais, que são aquelas que a a pessoa que tem deficiência de zinco não digere direto, principalmente se não mastiga!!

Os líquidos junto com as refeições também contribuem para uma má digestão. Quanto mais líquidos, maior tem que ser a produção de ácido e os indivíduos com disbiose já produzem menos ácido clorídrico. O líquido junto com a refeição dilui o suco digestivo, aumentado o PH intestinal, fazendo com que os alimentos sejam mal digeridos, gerando macromoléculas que agridem a mucosa causando hiperpermebilidade.

Os antibióticos são indutores de disbiose. Toda pessoa que toma antibiótico tem algum grau de disbiose e tem que tratar esse intestino. A inflamação, o uso de antibióticos e padrões alimentares (alto consumo de industrializados, gordura trans, gordura saturada, baixo consumo de fibras e fitoquímicos) afetam a microbiota de maneira independente.

Para recuperação dessas células o tratamento nutricional é fundamental, e deve incluir a suplementação de glutamina, ômega 3 e vitamina D. Os probióticos irão colonizar temporariamente o intestino e os prébioticos servirão para estimular o crescimento das bactérias nativas.

Fazer a dieta de segunda a sexta-feira e não se preocupar com alimentação equilibrada no final de semana, prejudica o tratamento da disbiose. Não adianta ficar alternando padrão alimentar, isso só piora o quadro. Sabe aquela mania de fazer a dieta certinha durante a semana e no final de semana esquecer que ela existe e comer tudo errado? Isso prejudica do seu intestino!! Segundo alguns estudos, é necessário 1 ano de dieta equilibrada e adequada para corrigir a microbiota intestinal!

Diante de tudo isso posso dizer que a principal fonte de ajuda para o intestino vem diretamente da alimentação, a qual será suprimento para nossa microbiota se manter saudável. A alimentação adequada ajuda no crescimento das boas bactérias, assim como uma alimentação errada será fonte de energia para as bactérias patogênicas, as quais também habitam o nosso intestino. Algumas vezes só alimentação não basta, uma suplementação com probióticos, prébioticos, antioxidantes, enzimas, vitaminas e minerais se faz necessária.

Por todas essas informações citadas neste post é que reforço a importância de uma consulta com nutricionista, para que sua alimentação e suplementação estejam alinhadas com a saúde do seu intestino!!


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