Dando continuidade ao post anterior, no qual descrevi alguns pontos a respeito da obesidade, hoje quero falar um pouco de como podemos prevenir e até mesmo tratar a obesidade através da Nutrição Funcional.

O objetivo da ciência hoje é desenvolver a tecnologia necessária para identificar pessoas com suscetibilidade genética aumentada e quantificar as intervenções farmacêuticas e nutricionais para amenizar o início e a progressão das doenças crônicas em pessoas com peso acima do ideal. Nutrientes que modulam a expressão gênica podem favorecer em grande potencial na alteração da trajetória dessas doenças. 

As intervenções comportamentais para obesidade focam na modificação do comportamento, incluindo práticas saudáveis de alimentação (consumo de alimentos de baixa caloria e gordura, regularidade nas refeições, aumento no consumo de frutas e vegetais), aumento da prática de atividade física e apoio social. 

A eficácia no tratamento a curto prazo para controle de peso corporal por meio da modificação comportamental tem melhorado nos últimos anos, mas o tratamento a longo prazo não acompanha o mesmo ritmo, principalmente em obesos clinicamente severos. Em alguns estudos demonstra-se que a redução do consumo energético em combinação com a prática de exercícios e/ou agentes farmacológicos, a curto prazo, leva a perda de peso moderada. Porém o problema é que todas as intervenções mostram uma tendência a recuperação do peso após seis meses a um ano. 

Os tratamentos convencionais para a perda de peso usam a privação e métodos de inibição ou estimulação (através de fármacos) para alcançar o objetivo, sem considerar as respostas geneticamente programadas para tais intervenções. O crescimento da obesidade mostra o fracasso desses métodos em longo prazo.

Apesar dos exercícios e as orientações nutricionais serem rotineiramente utilizadas para o tratamento da obesidade, há uma imensa variabilidade, regulada por genes, em como os indivíduos respondem a essas intervenções. Além disso, as condutas podem ser eficazes para alguns indivíduos, mas podem resultar em pequeno ou nenhum efeito em outros. Dessa forma, a individualidade bioquímica de cada pessoa é de extrema importância para o sucesso nesse tratamento.

Na Nutrição Funcional, a obesidade é tratada como uma patologia complexa, com envolvimento de muitos fatores além do desequilíbrio entre a ingestão e a utilização de calorias.

A Nutrição Funcional tem demonstrado clinicamente ser uma intervenção de sucesso para a redução de peso corporal, pois faz uma interação entre todos os sistemas do corpo, enfatizando as relações que existem entre a bioquímica, a fisiologia e os aspectos emocionais e cognitivos do organismo. Ainda levam em consideração como os genes respondem a essas intervenções dietéticas e preconiza condutas nutricionais de acordo com a base genética de cada indivíduo. Assim, personaliza e individualiza as intervenções nutricionais, independentemente do estado fisiopatológico do paciente. 

A Nutrição Funcional parte do princípio que cinco causas ambientais podem desequilibrar os sistemas orgânicos e causar a obesidade: toxinas, substâncias alergênicas, microrganismos, estresse e má nutrição.

Esses cinco fatores interagem com nossos genes, causam desequilíbrios nutricionais e comprometem o funcionamento de sistemas fisiológicos, causando alterações: imunológicas (que desencadeiam um processo inflamatório crônico), no metabolismo energético e no sistema oxidante-antioxidante, gastrointestinais (que afetam a digestão e absorção de nutrientes), estruturais de membrana celular do músculo esquelético, na destoxificação e bio transformação das toxinas, neuroendócrinas e hormonais. Além da interação corpo e mente.

A programação nutricional para a perda de peso deve adotar condutas que bloqueiem os gatilhos e por nutrientes que modulem os mediadores, restabelecendo o equilíbrio funcional de cada sistema. A perda de peso virá como consequência do restabelecimento da funcionalidade do organismo.

As intervenções de mudança de estilo de vida, aliando uma alimentação mais saudável (rica em alimentos integrais, fitoquímicos e baixa carga glicêmica), à prática de exercícios físicos e ao controle do estresse, compõem uma das condutas mais adotadas para a redução de peso corporal. Porém não são raros os pacientes que não respondem satisfatoriamente a tudo isso. Assim, tem-se sugerido que a resistência na redução da gordura corporal pode ser consequência não só do estilo de vida, mas também da crônica exposição a certas toxinas ambientais que alteram os mecanismo chaves do controle de peso.

Supõe-se que essas toxinas enviam falsas mensagens, alterando a ação dos hormônios, principalmente aqueles envolvidos com o controle energético, hormônios tireoidianos, estrogênio, testosterona, cortisol, insulina, hormônio do crescimento e leptina. Com isso pode haver alteração na ação dos neurotransmissores que controlam a saciedade e o metabolismo energético ou até mesmo ocasionar danos na função muscular, alterando o metabolismo mitocondrial na oxidação dos lipídeos. 

Aperfeiçoar os sistemas de destoxificação no organismo humano é uma nova e importante estratégia para o sucesso na redução de peso corporal. É através desse sistema que se consegue eliminar as toxinas acumuladas no organismo.

Considerando-se todas as alterações metabólicas ocorridas na obesidade, é importante se adotar condutas capazes de modular o desequilíbrio funcional e o quadro inflamatório sistêmico. Assim, alimentos funcionais devem fazer parte do plano alimentar, já que modulam a inflamação, melhoram os níveis de glicemia e neutralizam os radicais livres.

Os alimentos funcionais apresentam a capacidade de reduzir o risco de doenças crônicas, além da sua propriedade básica de nutrir. Esses alimentos apresentam papel metabólico e fisiológico no desenvolvimento e na manutenção das funções do organismo humano. 

Sendo assim, os alimentos funcionais podem ter importante papel no controle e/ou prevenção da obesidade, assim como na modulação da composição corporal e no controle do apetite

Quem me acompanha no blog e nas redes sociais sabe que sempre coloco sugestões de alimentos interessantes para a saúde e muitos deles bem funcionais!!

Quero deixar claro, que todas as condutas que levam a melhora da saúde, da qualidade de vida e a melhor manutenção de peso são importantes, desde que acompanhadas por profissionais capacitados para isso!!

Desculpem o texto longo, mas acho importante passar informações que possam ajudar a entender melhor o que acontece dentro do nosso corpo.

Fontes: Saad, 2009; Shils, 2009; Cozzolin, 2009; Brunoro 2008; Naves, 2009; Silva, 2007, Nammi, 2004; Paschoal, 2007.


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